A Vinha
Todas as uvas utilizadas na vinificação dos vinhos da Quinta da Massôrra, são cultivadas em vinhas localizadas na freguesia de S. João de Fontoura, concelho de Resende, zona de transição da Região do Douro com a Região dos Vinhos Verdes.
São cerca de 4 ha de vinha, de idades muito variáveis (entre os 12 e os 60 anos), plantadas igualmente num compasso variável (entre as 3500 e as 7000 videiras/ha).
No caso do vinho branco, optou-se exclusivamente pela casta Arinto. No caso do vinho tinto, pela Touriga Nacional, Tinta Roriz e Souzão. As vinhas mais antigas foram plantadas em socalcos suportados por grandes muros de granito, feitos à mão. As vinhas mais recentes, foram plantadas em modernos patamares de terra, escavados nas encostas do Douro através de potentes máquinas giratórias.
A vinha é mantida no regime de Produção integrada, isto é, recorrendo o mínimo possível à utilização de produtos químicos, o que implica contudo, um aumento da necessidade em mão-de-obra.
A Adega
O edifício da adega, situa-se no piso térreo da casa da Quinta, tendo sido recuperado e renovado em 2000. Trata-se de uma adega pequena, mas bem equipada, que permite transformar as excelentes uvas produzidas na Quinta, em vinhos tintos e brancos de grande qualidade e originalidade.
No caso dos vinhos tintos, mantém-se o ritual da pisa tradicional. Após o desengaçamento, as massas passam para os lagares de granito onde irão fermentar, com pisa a pé, durante cerca de 2 semanas. Após a prensagem, o vinho é armazenado em cubas de inox onde ocorre a fermentação malolática. O estágio, variável em função do perfil de vinho pretendido, é feito em barricas de carvalho.
No caso dos vinhos brancos, após o arrefecimento das uvas em câmaras frigoríficas, a prensagem é feita imediatamente após o desengace, seguindo-se a decantação em cubas de inox durante 36 horas. Uma parte do vinho branco fermenta em cubas de inox com controlo de temperatura, e o branco destinado ao Quinta da Massôrra Colheita Selecionada fermenta em barricas de carvalho.
História
Sabe-se que na casa da Quinta, dotada de capela privativa dedicada ao Espírito Santo, viveu a família Coelho de Macedo e que Abel Coelho de Macedo, tendo vivido na Casa do Choupal com a esposa D. Leonor Pinto Cochofel em finais do séc. XIX, foi descendente e proprietário. Após a sua morte, os seus herdeiros venderam a Casa a um senhor de nome Gastão, de Resende, o qual, por sua vez a vendeu ao Eng. Carlos Bento Freire de Andrade, Director das Minas de Ouro e Diamantes de Angola, que residia no Estoril. Tudo indica que este senhor tinha ascendentes em S. João de Fontoura, alguns dos quais muito provavelmente teriam sido donos da Quinta da Massôrra.
Por sua vez, o Eng. Freire de Andrade vendeu esta propriedade a José Botelho dos Santos, pai do actual proprietário, Prof. Doutor Valdemar Cardoso, ilustre cirurgião e professor jubilado da Faculdade de Medicina do Porto, que aqui, como sempre fez, continua a passar sempre que pode os seus fins-de-semana.
Rui Viseu Cardoso, um dos cinco filhos do atual proprietário, nasceu e viveu no Porto até terminar o ensino secundário. Em seguida, licenciou-se em Engenharia Agrícola pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), tendo tirado um mestrado em Inglaterra, no SilSoe College (Cranfield University) na área de Marketing Agro-Alimentar. Mas a sua paixão pela quinta da família em Resende fazia com que quase todos os fins de semana acompanhasse o seu pai à Quinta da Massôrra, onde também passava grande parte das suas férias. Já formado, e com uma carreira profissional promissora (director do departamento de marketing no Instituto do Vinho do Porto), casou com Anabela Cardoso, também do Porto e formada em Economia na Faculdade de Economia do Porto (FEP), tudo fazendo prever que as suas vidas iriam ter como epicentro a cidade do Porto.
Mas o apelo do casal por um novo estilo de vida e a paixão que ambos tinham pela Quinta, foi decisivo, para irem viver, em 1998, com o seu primeiro filho para a Quinta da Massôrra. Vários anos passados, ao Miguel juntaram-se a Ana e a Margarida, companheiros inseparáveis de brincadeiras e ajudantes irrequietos nos trabalhos agrícolas e da adega.