Projeto Barrica V

 
QUINTA DE VENTOZELO LOCI TINTO 2020

Um vinho “en primeur” por 50% do seu valor

 
A pratica de venda de vinhos “en primeur” tem sido característica de um número reduzido de produtores de Bordéus (com vinhos também em número limitado, os “grands crus”), que permitem a comercialização depois do vinho entrar nas barricas para estagiar (normalmente por um período que varia entre 12 e 24 meses) e antes de ser engarrafado. O preço de partida tem em conta o historial da Casa Produtora, as condições específicas dessa vindima e a opinião dos especialistas do mercado (cerca de 300 “negociants”).
Num ano muito bom, estes valores de venda “en primeur” podem representar para o comprador, um importante benefício, em relação aos preços finais de mercado.
Nesta quinta edição do projeto barrica, a Enoteca associou-se a uma das maiores e mais antigas Quintas do Douro, a Quinta de Ventozelo, para levar este projeto de venda “en primeur” aos seus sócios.
A Enoteca tem mais de 35 anos de experiência na seleção e venda dos melhores vinhos. A Quinta de Ventozelo conta com mais de cinco séculos de história, havendo registos de produção de vinho desde o Séc. XVI.
 
A Quinta de Ventozelo
 
A Quinta de Ventozelo é uma das mais antigas e maiores quintas do Douro, com cerca de 400 hectares, dos quais 200 são de vinha. Situada na margem esquerda do Douro, na freguesia de Ervedosa do Douro, concelho de S. João da Pesqueira, desenvolve‐se num amplo anfiteatro desde a cota do rio até aos 600 metros de altitude, entrecortado pela Ribeira de Ervedosa e diversas linhas de água, apresentando condições excecionais de solo e de diversidade microclimática para uma viticultura de excelência.
A primeira referência documental a Ventozelo aparece nas inquirições de 1288, no reinado de D. Dinis, contudo, apenas no século XVI, circa 1500, a Quinta de Ventozelo entrou na posse dos fidalgos da Casa do Poço, de Lamego.
Ao longo dos séculos XVI a XVIII a quinta era sobretudo utilizada como coutada de caça a par do aproveitamento extensivo de olivais, terra de pão e sumagre. Nos finais do século XVIII, com a expansão das exportações de Vinho do Porto, a Quinta de Ventozelo, com os seus três núcleos principais – Ventozelo Velho, Ventozelo Novo e Quinta Nova - conhece um período de prosperidade.
Em 1806 é elaborado o Tombo da Quinta de Ventozelo a pedido de Jerónimo de Carvalho Rebelo, fidalgo da Casa Real e morgado da Casa do Poço de Lamego. Na segunda metade do século XIX as crises do oídio e a filoxera trouxeram o declínio da quinta, levando os descendentes da Casa do Poço de Lamego, então a residirem no Paço de Gominhães, em Vizela, a venderem a quinta à Companhia Vitícola, Vinícola e Agrícola de Ventozelo.
Perdura da ligação de quatro séculos da Casa do Poço, de Lamego, à Quinta de Ventozelo, o brasão com as armas dos morgados da Casa do Paço. A Companhia Vitícola, Vinícola e Agrícola de Ventozelo efetuou grandes investimentos e deu um novo impulso à propriedade, não só na produção de vinho do Porto, mas também em produções alternativas, como uva de mesa, fruta, azeite, cereais e floresta.
Contudo, a crise do Vinho do Porto no primeiro terço do século XX, levou a que a quinta fosse absorvida pelo Banco Aliança, do Porto, que a venderia em 1958 à Sociedade Edmundo Alves Ferreira. Esta expandiu a área de vinha e nos anos 80 passou a comercializar Vinho do Porto engarrafado na propriedade e a explorar o turismo cinegético. Em 1999 inicia‐se uma nova fase da Quinta com a aquisição pela empresa espanhola Proinsa, que investiu na reestruturação das vinhas existentes e em novas plantações, bem como no negócio de vinhos do Porto e do Douro, tendo em 2009 efetuado uma troca de participações com a Real Companhia Velha, empresa que passou a gerir a quinta. Este modo de gestão da Quinta de Ventozelo terminou em 2011, voltando à posse da Proinsa, que a vendeu à Gran Cruz em finais de 2014. A estratégia da Gran Cruz procura, desde esse momento, valorizar o enorme potencial da propriedade, passando nãatilde;o só por trabalhar a riqueza e diversidade dos seus vinhos, mas também por apostar no azeite, no enoturismo e no turismo de natureza.
 
O TERROIR
da Quinta de Ventozelo

 
Considerando a topografia e a altitude, a Quinta de Ventozelo encontra-se dividida em três partes: A Encosta Norte com exposição dominante sul, a Encosta sul com exposições norte e noroeste e a Parte Central da quinta com diferentes exposições solares e diferentes constituições rochosas.
Todas as parcelas com vinha têm um coberto vegetal constituído pela flora autóctone espontânea ou por sementeira de mistura de leguminosas e gramíneas, em cerca de 25% da área total da vinha, este coberto tem efeitos benéficos na proteção contra a erosão hídrica, na formação e estabilidade da estrutura, na abertura de porosidade, na conservação da água durante o Verão, na transitabilidade das máquinas, sendo ainda abrigo da biodiversidade e de auxiliares no combate a pragas e doenças.
Os cerca de 200 hectares de vinha estendem-se desde a margem do Douro, a cerca de 130 metros de altitude, até ao alto da quinta a 500 metros e ao longo da Ribeira de Ervedosa, o que permite ter parcelas de vinhas com todas as exposições a diversas altitudes. O desafio é compreender esta diversidade de solos, microclimas, castas e sistemas de condução, adaptar as melhores práticas vitícolas de modo a serem obtidos vinhos com personalidade que traduzam essência desse lugar.
Nos últimos 35 anos a área de vinha da Quinta de Ventozelo aumentou significativamente, desde a plantação, em 1985, de 26 hectares, tendo sido efetuadas novas plantações e praticamente duplicado a área com vinha entre 2000 e 2005.
Em 2005 foi plantada uma coleção ampelográfica com cerca de 54 castas. No total individualizam-se 17 parcelas, subdivididas em 135 talhões. Com expressão, existem em cultura 7 castas brancas que representam 10% da área total e 10 castas tintas representando 90% da área total, com particular enfoque na Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional, que representam mais de 50% do total.
Da combinação destes fatores naturais com as castas mais adaptadas a cada ecossistema, e técnicas de vinificação e estágio específicas, resulta uma enorme diversidade de vinhos, que traduzem a essência de cada lugar.
Entre 2016 e 2018 reconverteram-se 40 hectares, a parcela Chorão com cerca de 4 hectares, sistematizada em terraços pós-filoxéricos, criando um field blend, através da mistura de 21 castas selecionadas em função da localização específica de cada talhão, com uma densidade de plantação de 7.000 videiras por hectare e condução em guyot duplo, tendo-se mantido as parcelas Jardim e Sessenta e seis, plantadas em 1950, com cerca de 2 hectares, uma parte assente em terraços pré-filoxéricos e a restante em terraços pós-filoxéricos, com uma grande diversidade de castas e elevada densidade de plantação.
 
O VINHO
Quinta de Ventozelo Loci tinto 2020
 
A paisagem materializa o tempo. Os lugares [ou loci, que significa vários locais ou lugares específicos em Latim] de Ventozelo impõem-se aos olhos, escondendo na sua imaterialidade a magia tecida no fio do tempo, transmitida pelas diferentes pessoas que os habitaram. Os lugares [loci] nunca são os mesmos com a passagem da história ou do ciclo das estações. Conhecer a alma de um lugar, o seu genius loci, pressupõe saber que histórias conta. A história da Quinta de Ventozelo remonta ao tempo da ocupação romana do vale do Douro, época de que datam os mais antigos sinais da presença humana aqui nos fragmentos cerâmicos encontrados nas imediações das vinhas da Capela e da D. Zefa.
Foi precisamente para evocar o genius loci de Ventozelo que em 2020 nasce este vinho que exprime toda a complexidade dos LOCI de Ventozelo, finamente concebido pela sensibilidade do enólogo José Manuel Sousa Soares ao selecionar cinco castas (Tinta Amarela, Tinta Roriz, Sousão, Tinto Cão e Touriga Nacional) provenientes de oito diferentes vinhas, resultando num vinho cheio de personalidade.
Agora é a sua oportunidade de adquirir “en primeur” a colheita 2020 do Quinta de Ventozelo Loci tinto 2020.
 
 
AS CASTAS
Quinta de Ventozelo Loci tinto 2020
 
Tinta Amarela: esta casta em 2020 comportou-se de forma excecional na Quinta de Ventozelo. As uvas de Tinta Amarela que primeiro amadureceram tinham muita frescura na boca e aromas finos e delicados. A Tinta Amarela contribui para 50% do lote.
Tinta Roriz: em 2020, esta casta por vezes difícil, evoluiu muito bem na maturação dos taninos mantendo os aromas de framboesa e morango tão características. A Tinta Roriz contribui para 20% do lote.
Sousão: outra casta que teve um bom comportamento em 2020 mesmo nas parcelas mais precoces, aportou aromas cítricos e um reforço de cor. A Sousão contribui para 10% do lote.
Tinto Cão: das castas presentes neste vinho, esta é a mais exótica, em 2020 encontramos a cor azulada e pouco intensa, mas o vinho obtido é rico em aromas tropicais e os taninos são sedosos. A Tinto Cão contribui para 10% do lote.
Touriga Nacional: da Touriga Nacional foram selecionadas as uvas vindimadas na primeira semana, com uma seleção cuidada na vinha e à entrada para o lagar, obteve-se um vinho com muita fruta e aromas florais com estrutura sólida e boa acidez. A Touriga Nacional contribui para 10% do lote.
 
O ENÓLOGO
Quinta de Ventozelo Loci tinto 2020
 

 
José Manuel Sousa Soares nasceu no Porto em 1961. Em 1985 licenciou-se como Engenheiro Agrónomo no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa e em 1991 conclui a sua pós graduação em Enologia pela Faculdade de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto.
Entra para o grupo Barros onde fica durante 18 anos e em 2009 torna-se Diretor de Enologia do grupo Gran Cruz (C. da Silva, Porto Cruz e Quinta de Ventozelo).
Em 2000 foi nomeado para a Junta Consultiva do IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto) e em 2016 assumiu o lugar de coordenador.
Em 2014, foi escolhido Enólogo do Ano, na categoria de Vinhos Generosos.
 
QUINTA DE VENTOZELO LOCI TINTO 2020
BARRICA “EN PRIMEUR”
O Douro é uma região imponente, mas ao mesmo tempo exigente, e o ano de 2020 não foi exceção. Considerado de uma forma geral um ano quente e seco, exigiu acompanhamento e cuidados constantes durante todo o ciclo vegetativo. O primeiro desafio ocorreu numa Primavera quente e com precipitação, com os habituais problemas da vinha. A menor fertilidade resultou numa produção significativamente inferior às produções de anos anteriores. O calor excessivo no verão contribuiu igualmente para este baixo rendimento. Um ano caracterizado por uma vindima curta, que ocorreu sobre condições normais de precipitação. Apesar de todos os desafios, os vinhos demonstram uma incrível concentração e níveis de acidez e álcool bastante equilibrados.
O Quinta de Ventozelo Loci provém de vinhas extremes da Quinta, com entre 20 e 30 anos. A vindima foi manual e feita na primeira semana de Setembro, com cuidadosa seleção de uvas. As uvas foram recebidas na adega, na linha especial, com desengace total e escolha manual de cachos e posteriormente “bago a bago” por uma máquina de seleção ótica. A vinificação foi feita em lagar, com maceração pré-fermentativa e controlo de temperatura.
O vinho inicia estágio em barricas de 225 litros de carvalho francês de segundo e terceiro ano das tanoarias Baron, Radoux e Seguin Moreau. Após estágio de 12 meses em madeira, será engarrafado entre Janeiro/Fevereiro devendo estagiar posteriormente em garrafa pelo menos 8 meses antes de ser bebido.
 
O que podemos esperar deste vinho?
Se por um lado temos a complexidade do lugar (8 parcelas, com diferentes exposições e altitudes) e uma mistura de 5 castas tradicionais e distintas, há ainda a salientar que o lote resulta das primeiras fermentações de Setembro. Este facto influencia o perfil aromático exuberante a fruta madura, especialmente ameixa e framboesa, bem como a vibrante acidez. Espera-se que estas notas aliadas ao envelhecimento em madeira, originem um vinho intenso e fresco, de taninos vigorosos, contudo de barrica elegante, redondo e afinado na boca.
 
 
COMO PARTICIPAR NO PROJETO BARRICA
QUINTA DE VENTOZELO LOCI TINTO 2020
 
QUE PREÇO?
  • Até 28 de Fevereiro de 2021 pode adquirir este vinho a € 12,50 por garrafa;
  • De 1 Março a 30 de Junho de 2021, poderá adquirir cada garrafa a € 18,75;
  • A partir de 1 de Julho de 2022 entrará em vigor o preço de mercado, i.e., € 25,00 por garrafa.
 
QUE QUANTIDADE?
Calculamos que cada barrica dê origem a 288 garrafas de 750 ml, ou seja 48 caixas de 6 garrafas por cada barrica. Cada participante ou co-proprietário poderá adquirir:
 
  • 1/16 de Barrica (3 cx / 6 gfas);
  • 1/8 de Barrica (6 cx/ 6 gfas);
  • 1/4 de Barrica (12 cx/ 6 gfas);
  • Meia Barrica (24 cx/ 6 gfas);
  • Uma barrica (48 cx/ 6 gfas)
 
 
QUANDO RECEBO O MEU VINHO?
  • A entrega do vinho será efetuada depois do estágio em barrica e em garrafa e quando o enólogo der a sua aprovação para o vinho ser apresentado, ou seja entre Julho e Outubro de 2022.
Notas:
  • Havendo condições legais para circulação entre concelhos e que permitam a reunião dos sócios, cada participante será convidado para provar o lote final do Loci 2020, na Quinta de Ventozelo em data a determinar.
  • Serão enviados relatórios periódicos ao longo da evolução do vinho a todos os participantes neste projeto.
  • A Enoteca garante a entrega deste vinho ou a devolução do valor caso a qualidade do vinho não corresponda à qualidade expetável.

 

Para mais informações e/ou encomendas por favor envie um e-mail para [email protected]